[Actualização em 6/09/2013: Uma parte deste artigo baseou-se na apreciação de um acontecimento que eu apenas conhecia por interposto testemunho. Foi um erro, evidentemente, como veio a provar-se quando vi o vídeo da intervenção em questão, onde uma militante feminista fala sobre a questão do assédio e a situação da mulher. Por desconhecer o sentido de algumas palavras em português (creio eu) e por infelicidade de linguagem (creio eu outra vez) inerente ao risco da improvisação em público, a apresentação contém deslizes que não deixo de apontar, por roçarem atitudes extremas de normatividade e criminalização de comportamentos que me levam, por exemplo, a não querer viver no Irão. Mas de uma maneira geral defende uma tese geral obviamente correcta: o direito das mulheres a usufruírem o espaço público sem se sentirem ameaçadas e não deixarem passar em claro os abusos e violências de que são vítimas. Perante isto, o meu artigo talvez pudesse ser reformulado ou substituído. Como sou contra a manipulação da história, mantenho o registo de um artigo que já foi publicado.]
«Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa: salvar a humanidade.» - Almada Negreiros
30/08/13
26/08/13
O que é a classe média – adenda
Ensaiei no artigo anterior uma redefinição abreviada e actualizada de classe média. Fi-lo de forma sumária, como convém ao formato de um blog.
A minha motivação foi simples: ainda que se considere duvidoso o interesse de definir um conjunto de classes médias, a utilização desse conceito é corrente no vocabulário quotidiano e recorrente na propaganda ideológica de todas as cores; já que não podemos eliminar o conceito (e a propaganda), ao menos tentemos corrigi-lo e construir um conceito operacional em termos políticos.
A redefinição proposta de «classes médias» levantou numerosas objecções, fosse pela sua brevidade (que exigia alguma reflexão e «trabalho de casa» do leitor), fosse pela sua novidade. Em atenção a alguns desses objectores acrescento agora, mais uma vez de forma abreviada e parcelar, alguns apontamentos dispersos.
A minha motivação foi simples: ainda que se considere duvidoso o interesse de definir um conjunto de classes médias, a utilização desse conceito é corrente no vocabulário quotidiano e recorrente na propaganda ideológica de todas as cores; já que não podemos eliminar o conceito (e a propaganda), ao menos tentemos corrigi-lo e construir um conceito operacional em termos políticos.
A redefinição proposta de «classes médias» levantou numerosas objecções, fosse pela sua brevidade (que exigia alguma reflexão e «trabalho de casa» do leitor), fosse pela sua novidade. Em atenção a alguns desses objectores acrescento agora, mais uma vez de forma abreviada e parcelar, alguns apontamentos dispersos.
17/08/13
O que é a classe média
O lodaçal académico
A maioria dos politólogos, sociólogos, economistas e outros melros que tais adora complicar o que é simples. Bom, na verdade, a organização social nada tem de simples, uma vez que nela nada funciona segundo uma causa determinística única, linear, da qual resulte um efeito determinado único. Mas ainda assim há imensos factores sociais que não carecem de dezenas, centenas ou milhares de páginas para serem explicados.
Um desses lodaçais teóricos é a definição de
«classes médias». Não sei nem me interessa saber donde vem esta
designação, mas reconheço-lhe pertinência. O lodaçal teórico,
porém, não tem razão de ser, pois a definição de «classes médias» é simples.
13/08/13
FFF - felicidade, felácio, fé
Mude você mesmo o seu presente – eu não posso ajudar
Há milhares de anúncios com coisas deste teor
(colho um ao acaso, o primeiro que me saiu na rifa ao abrir o
navegador de Internet):
«E se tivesse a oportunidade
de mudar o seu futuro? Acabe com os seus problemas e encontre a
felicidade tão desejada. Eu posso ajudar.»
O mesmo tipo de anúncios é afixado nos jornais,
ao lado das campainhas das portas, distribuído em mão na rua e
introduzido nas caixas de correio. Há para todos os gostos – uns
mais ocidentalizados, outros mais africanizados.
O que de comum encontramos em todos é:
- uma cesura entre o passado, o presente e o futuro – sendo o presente passivo;
- a ideia de que o futuro está pré-determinado (daí a utilização no anúncio da expressão «mudar o futuro»);
- a ideia de que é preciso recorrer a um guru para mudar o futuro.
Cesura, compartimentação, determinismo,
sectarismo – eis algumas das chaves destes anúncios.
09/08/13
Que não se repita este amargo de boca
Estou aborrecido comigo mesmo – com a atitude que eu próprio apliquei ao dia do meu próprio aniversário, passando por ele como cão por vinha vindimada.
Nesta atitude parda, indiferente, aversa a um momento de excitação aparentemente pueril, há qualquer coisa que roça as atitudes fascistas.
Nesta atitude parda, indiferente, aversa a um momento de excitação aparentemente pueril, há qualquer coisa que roça as atitudes fascistas.
30/07/13
Greve e desobediência cívica contra a CML
A CML (Câmara Municipal de Lisboa) comporta-se desde há muitos anos como uma associação de gangsters especializados em extorquirem dinheiro dos contribuintes, destruírem o que de melhor foi acumulado e herdado na cultura popular e urbana local, e favorecerem obscuros os interesses privados. É uma espécie de Máfia instituída ao abrigo da lei.
A lista de barbaridades cometidas é tão extensa, que neste momento é já muito difícil fazer um dossier completo das políticas municipais, suas ligações aos interesses privados e suas consequências. Esse dossier, no entanto, tem de ser feito, mais cedo ou mais tarde, sob pena de jamais conseguirmos avaliar devidamente o que a cidade perdeu, o que foi destruído, o que ainda pode ser recuperado e as responsabilidades processuais e criminais envolvidas - embora, na verdade, muitas das perdas culturais e patrimoniais sejam irrecuperáveis.
Entretanto, aqui vai uma brevíssima lista de crimes cometidos pela CML, a título de exemplo:
A lista de barbaridades cometidas é tão extensa, que neste momento é já muito difícil fazer um dossier completo das políticas municipais, suas ligações aos interesses privados e suas consequências. Esse dossier, no entanto, tem de ser feito, mais cedo ou mais tarde, sob pena de jamais conseguirmos avaliar devidamente o que a cidade perdeu, o que foi destruído, o que ainda pode ser recuperado e as responsabilidades processuais e criminais envolvidas - embora, na verdade, muitas das perdas culturais e patrimoniais sejam irrecuperáveis.
Entretanto, aqui vai uma brevíssima lista de crimes cometidos pela CML, a título de exemplo:
25/07/13
Regulamentação da lei do cinema – palavra chave: negócio
Em Setembro de 2012 foi aprovada a nova Lei do Cinema (Lei n.º 55/2012), que «estabelece os princípios de acção do Estado no quadro do fomento, desenvolvimento e protecção da arte do cinema e das actividades cinematográficas e audiovisuais». Como acontece frequentemente, esta lei não pode ser aplicada sem que sejam definidos, regulamentados e criados, através de decreto-lei específico, muitos dos mecanismos genericamente definidos na lei principal.
Há um ano que a Lei do Cinema repousava numa gaveta, à espera de regulamentação. Há mais de um ano que os profissionais e criadores do cinema português viviam num limbo, à espera que a lei do cinema ressuscitasse do seu sono de bela adormecida. Finalmente, o decreto-lei regulamentador baixou ao parlamento. Baixou, mas imediatamente levantou alguns espantos – uns mais previsíveis, outros menos.
Há um ano que a Lei do Cinema repousava numa gaveta, à espera de regulamentação. Há mais de um ano que os profissionais e criadores do cinema português viviam num limbo, à espera que a lei do cinema ressuscitasse do seu sono de bela adormecida. Finalmente, o decreto-lei regulamentador baixou ao parlamento. Baixou, mas imediatamente levantou alguns espantos – uns mais previsíveis, outros menos.
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