Quantos me conhecem de muito perto sabem da minha
repugnância – vá, digamos, da minha desconfiança –
pela filosofia em geral. Esta atitude é tão vincada desde a minha
juventude que, ao deparar-me com a disciplina de filosofia na escola,
sem a qual não poderia progredir nos estudos, decidi abandoná-los
de vez – antes a ignorância que a cadeira de Filosofia, tal foi o
meu grito. Esta teima tem um senão: como quase nunca tive pachorra
para sofrer até ao fim esses marcos do pensamento ocidental (e bem
assim os do oriental), não me encontro em condições de fazer uma
crítica sistemática às respectivas obras. Aliás não creio que ela
vos faça falta.
Em todo o caso sou capaz de vos apontar muito
sinteticamente o busílis da questão, do meu ponto de vista: de modo
geral as obras filosóficas consistem em má poesia; têm quase tudo
da poesia, em quase tudo são poesia, excepto no que diz respeito à
qualidade literária ou poética e ao elevado discernimento inerente
à boa poesia. Em suma, na sua
esmagadora maioria os filósofos consagrados são maus poetas que,
por vergonha, se mascararam de mestres da lógica; mas que também
nisso não são grande espingarda.






