23/02/13

O grande mito da casa própria

[actualizado em  25-02-2013]

O INE (Instituto Nacional de Estatística) publicou recentemente «Parque Habitacional em Portugal: Evolução na Última Década». Este resumo dos dados recolhidos sobre habitação criou a ideia de que a larga maioria dos portugueses possui casa própria. No nosso entender, trata-se de um mito sustentado numa leitura incorrecta dos dados estatísticos disponíveis. O mito perde a inocência ao ser utilizado como prova da melhoria de vida duma certa camada da população trabalhadora e dos benefícios da concessão alargada de crédito por parte dos bancos.

Comecemos por olhar para a expressão gráfica do mito:



20/02/13

Relvas, a sumidade folclórica

Um sujeito que dá pelo nome de Augusto Santos Silva foi ao noticiário da TVI  expressamente para dizer que tem pena do Relvas por lhe terem cortado a palavra numa escola. Este Augusto é um ex-ministro de estadão, um alto responsável do PS. Pois tudo o que ele tem a dizer sobre a situação do ensino e dos estudantes em Portugal é que são uns malandrecos que não deixam falar o sr. Relvas. Disse e dando o discurso por acabado, saiu pela direita baixa.

09/02/13

Já lerpámos com oito mil milhões

Depois do Ulrich nos vir dizer que ainda a procissão vai no adro e que só temos é de aguentar mais medidas de austeridade, temos agora uma conferência de imprensa em que outros banqueiros vêm afirmar repetidamente (creio que pelo menos três vezes) que podemos estar descansados, que eles tencionam pagar o que lhes emprestámos.

Pronto, já lerpámos com os 8 mil milhões de euros que o governo meteu nos bancos.

Qualquer pessoa com um mínimo de experiência de vida sabe que nada há a recear do amigo a quem emprestámos dinheiro e que não dá notícias até à data da primeira prestação. De quem há a recear é do amigo a quem emprestámos e que, de repente e a propósito de coisa nenhuma, nos aparece lá em casa cheio de boas declarações, «eh pá, tu podes estar descansadinho, que eu vou pagar-te tudo até ao último tostão»... como se o retorno do empréstimo estivesse em causa... É uma espécie de marketing que os chico-espertos usam para nos fazer baixar a guarda e ganhar tempo.
Obviamente, jamais passaria pela cabeça do devedor honesto a necessidade de vir sossegar-nos, visto que a única coisa que lhe está a passar pela cabeça é o que há-de fazer para garantir o cumprimento da sua parte do acordo.

Podem dizer adeus aos 8 mil milhões.

30/01/13

Tirem-me desta Europa decadente!

Venho por este meio solicitar o vosso contributo benemérito numa subscrição destinada a recolher a maquia suficiente para a comprar um bilhete de ida sem volta e arranjar um meio de subsistência numa parte qualquer do mundo que seja tudo menos ocidental – sei lá, Chiapas, Goa, Samoa, seja o que for fora daqui. Por «ocidental» refere-se aqui, por facilidade de expressão, essa zona de apropriação geográfica e cultural que o centrismo europeu e norte-americano costuma referir como sua.

17/11/12

Sobre a violência – divagações de um homem revoltado


Existe na minha mesa de cabeceira um pequeno templo sagrado onde reside há 30 anos «O Homem Revoltado», de Albert Camus.
Essa obra – com a qual, de resto, não me sinto obrigado a concordar na totalidade para garantir o seu lugar sagrado na minha mesa de cabeceira – define com rigor os conceitos de revolta e violência.

16/11/12

Tácticas de repressão – uma análise objectiva (1)

(actualizado em 27/11/2012 ; comentários encerrados até nova ordem)

Tentarei aqui analisar os factos ocorridos ao final do dia na manifestação da greve geral de 14/11/2012 em Lisboa, o significado das posições expressas pelos comentadores de serviço e a TV, o comportamento da polícia e o programa de acção do Governo em matéria de repressão para os próximos tempos.
Propositadamente não uso imagens neste artigo, para evitar introduzir factores emocionais.

24/10/12

Isto não é um trabalhador

Cada vez que me pronuncio sobre a situação política e social caem-me em cima uns quantos académicos cheios de dúvidas existenciais: perguntam-me «o que é isso de trabalhadores e capital», queixam-se de maniqueísmo, afirmam que a democracia e o Estado somos todos nós, enfim, um ror de dúvidas existenciais.

Muito sinceramente, preferia não ter de responder a este tipo de argumentos. Afinal de contas, trata-se de responder a técnicos altamente qualificados, alguns deles professores universitários na área das «ciências» humanas e políticas. Explicar-lhes o que é um trabalhador do ponto de vista teórico é no mínimo constrangedor.

23/10/12

A dívida «pública» não é da responsabilidade dos trabalhadores


A chamada «dívida pública» do Estado português é na verdade, e na totalidade, um conjunto de dívidas privadas que foram socializadas. Não cabe aos trabalhadores pagar essa dívida – nem directa nem indirectamente. Não faz qualquer sentido colocar a questão da legitimidade pública duma dívida privada.