20/03/13

Partam-lhes as pernas!

[actualizado em  21/03/2013]

Ao longo de várias gerações sob ditadura (cerca de 48 anos) os portugueses foram educados no medo. Aprenderam a sufocar a resposta às violências de que eram vítimas.

A seguir, após a instauração da democracia representativa e do estado de direito (1976), este mesmo povo sofreu durante 37 anos uma lavagem ao cérebro – foi-lhe continuamente inculcado que não está certo responder com firmeza e até com violência, se necessário, à violência exercida pelo Estado e pelo patronato.

18/03/13

Sobre o frentismo (partes 1-4)


Nesta série de artigos tento fazer uma primeira abordagem simplificada à questão do frentismo, criando um modelo teórico provisório de análise dos movimentos sociais e frentistas. Este modelo não terá o rigor e a profundidade desejáveis, mas espera-se que um dia lá cheguemos.

Na sua fase actual, esta série é um work in progress confrontado nas redes sociais – uma prática, pouco comum em Portugal, que pretende tirar partido das redes sociais (confrontando e pondo à prova as ideias ainda numa fase de construção) e que belisca o conceito clássico (isolacionista e burguês) de autoria, repondo a intenção original dos primórdios da rede digital.

[Actualizado em 26/Março/2013.
 A versão anterior continha erros graves
 que são agora corrigidos,
 com reflexos nos textos subsequentes.]

11/03/13

Palavras tabu

Um belo dia, aliás fim de noite, foram encontrar Tristan Tzara à porta do Cabaret Voltaire, a caminhar furibundo de um lado para o outro da rua. O público já tinha saído da sala, ordeiramente, satisfeito com o que tinha visto. «Estamos a fazer qualquer coisa profundamente errado – queixava-se Tzara –, o público já não nos parte a casa toda, como costumava acontecer todas as noites.»1

07/03/13

Porque não se radicaliza a luta política em Portugal?


«O que esses senhores temem não são as ideias que vagueiam no ar, que são escritas no papel, impressas ou transmitidas verbalmente. O que eles temem é a organização, a acção organizada, as tentativas organizadas de realizar essas ideias.» – Ernest Mandel.

«O mal verdadeiro, o único mal, são as convenções e as ficções sociais, que se sobrepõem às realidades naturais – tudo, desde a família ao dinheiro, desde a religião ao Estado. […] Empregar todo o nosso desejo, todo o nosso esforço, toda a nossa inteligência para implantar, ou contribuir para implantar, uma ficção social em vez de outra, é um absurdo, quando não seja mesmo um crime, porque é fazer uma perturbação social com o fim expresso de deixar tudo na mesma.» – O Banqueiro Anarquista, de Fernando Pessoa.

05/03/13

Ofensiva e defensiva - o lugar do poder


Uma esforçada tentativa de apontar o essencial e descartar o acessório na intervenção militante. Uma demanda da fonte de todo o poder, do ponto de vista revolucionário. Um texto afável dedicado aos companheiros de estrada obcecados pelo determinismo e pela compreensão cartesiana das coisas.

23/02/13

O grande mito da casa própria

[actualizado em  25-02-2013]

O INE (Instituto Nacional de Estatística) publicou recentemente «Parque Habitacional em Portugal: Evolução na Última Década». Este resumo dos dados recolhidos sobre habitação criou a ideia de que a larga maioria dos portugueses possui casa própria. No nosso entender, trata-se de um mito sustentado numa leitura incorrecta dos dados estatísticos disponíveis. O mito perde a inocência ao ser utilizado como prova da melhoria de vida duma certa camada da população trabalhadora e dos benefícios da concessão alargada de crédito por parte dos bancos.

Comecemos por olhar para a expressão gráfica do mito:



20/02/13

Relvas, a sumidade folclórica

Um sujeito que dá pelo nome de Augusto Santos Silva foi ao noticiário da TVI  expressamente para dizer que tem pena do Relvas por lhe terem cortado a palavra numa escola. Este Augusto é um ex-ministro de estadão, um alto responsável do PS. Pois tudo o que ele tem a dizer sobre a situação do ensino e dos estudantes em Portugal é que são uns malandrecos que não deixam falar o sr. Relvas. Disse e dando o discurso por acabado, saiu pela direita baixa.

09/02/13

Já lerpámos com oito mil milhões

Depois do Ulrich nos vir dizer que ainda a procissão vai no adro e que só temos é de aguentar mais medidas de austeridade, temos agora uma conferência de imprensa em que outros banqueiros vêm afirmar repetidamente (creio que pelo menos três vezes) que podemos estar descansados, que eles tencionam pagar o que lhes emprestámos.

Pronto, já lerpámos com os 8 mil milhões de euros que o governo meteu nos bancos.

Qualquer pessoa com um mínimo de experiência de vida sabe que nada há a recear do amigo a quem emprestámos dinheiro e que não dá notícias até à data da primeira prestação. De quem há a recear é do amigo a quem emprestámos e que, de repente e a propósito de coisa nenhuma, nos aparece lá em casa cheio de boas declarações, «eh pá, tu podes estar descansadinho, que eu vou pagar-te tudo até ao último tostão»... como se o retorno do empréstimo estivesse em causa... É uma espécie de marketing que os chico-espertos usam para nos fazer baixar a guarda e ganhar tempo.
Obviamente, jamais passaria pela cabeça do devedor honesto a necessidade de vir sossegar-nos, visto que a única coisa que lhe está a passar pela cabeça é o que há-de fazer para garantir o cumprimento da sua parte do acordo.

Podem dizer adeus aos 8 mil milhões.