17/07/13

Um povo inteiro de fralda


Tem medo o presidente, tem medo o PS, tem medo a oposição de esquerda, tem medo a direita; tem medo o trabalhador, tem medo o precário, tem medo o desempregado. Toda a gente tem medo. Não por realismo. Apenas por cobardia.

Todos andam de fralda, por via de não se borrarem.

Dois parolos tacanhos sentados à mesa da RTP às 10 da noite urram de pânico

Dois parolos detentores ostensivos de tacanhez indómita, um respondendo ao nome de José Matos Correia e outro nem sei por que nome, deram às câmaras da RTP-notícias um enervante concerto de latidos e rosnidos. Pertencem ambos a uma elite de provincianos munidos de diploma com que ensopam no sovaco os suores frios. Em tudo fazem lembrar mortos-vivos foragidos duma campa de meados do século XIX, ou velhas caricaturas literárias da mesma época, tal é a incapacidade que têm de disfarçar os jogos de camarilha e compadrio que subservem com descaro façanhudo.

10/06/13

Como fazer política


«Ninguém é mais escravo do que aquele que considera ser livre sem o ser» (Goethe).

Saber fazer política apenas é dispensável para quem aceite como projecto de vida a escravidão.

Felizmente fazer política é a coisa mais fácil do mundo. Não carece de cursos de especialização nem de uma vida inteira de estudo e investigação, ao contrário do que acontece com a economia, a física quântica, a criação cinematográfica e muitas outras actividades altamente especializadas. Fazer política é talvez o acto mais simples do mundo para quem viva num ambiente social denso. Diria mesmo que fazer boa política corre o risco de ser mais simples do que fazer bom sexo.

06/06/13

A teoria do valor, o mijo e a CML


Sai actualmente mais caro mijar para os esgotos de Lisboa, do que beber o copo de água que gera o mijo.

Seria isto um magnífico exemplo da teoria do valor acrescentado pelo labor humano, não se desse o caso de não o ser. É, na verdade, um magnífico exemplo do banditismo da Câmara Municipal de Lisboa (CML), que inventou 5 (cinco) impostos de saneamento sobrepostos ao consumo de água propriamente dito (para além de outros que não vêm ao caso).

04/06/13

Um país de capados e excisadas


Um dos fenómenos mais fascinantes da História é a forma imprevista como por vezes uma minúscula faísca, aparentemente débil e insignificante, pode incendiar a movimentação popular, provocando uma viragem dos acontecimentos. O papel destas humildes fagulhas repete-se invariavelmente ao longo da História, em todos os continentes, desconcertando os teóricos, políticos, agitadores e revolucionários que em vão tentaram, durante anos, despertar a combatividade popular. E de repente, sem razão aparente, à margem dos tutores da política, o milagre acontece!

Apesar da imprevisibilidade deste tipo de acontecimentos, uma análise rápida dessas «faíscas» permite-nos compreender porque se transformaram elas em incêndios generalizados; permite-nos até perceber quando pode ou quando «deveria» ter acontecido.

E uma análise atenta e honesta dos tutores da política talvez nos permita compreender também porque não aconteceu antes esse milagre.

Heloísa e Abelardo, traídos pelos seus próprios tutores depois de terem vivido uma história de amor cuja paixão incendiária subverteu todas as normas vigentes e inspirou 9 séculos de romance e imaginação erótica, resignam-se a passar o resto das suas vidas enclausurados, cada um no seu mosteiro, trocando durante 20 anos pacíficas cartas filosóficas. À distância de um milénio, há nisto um quase prenúncio da quietude dos portugueses após uma história de paixão intensa (o 25 de Abril), seguida da traição abjecta com que os seus tutores os mutilaram. Para toda a vida, como fizeram a Abelardo?

21/05/13

Eufemismos: o tempo e o colaborador


De longe e sem concorrente à altura, a mentalidade liberal é a campeã do eufemismo. Ao longo de mais de dois séculos conseguiu eufemizar tudo o que havia de eufemizável.

Desgraçadamente, a eufemização sistemática, enquanto arma política, contém em si mesma um princípio diabólico: provoca a destruição de todo o pensamento estruturado e portanto de tudo o que de bom a civilização ocidental conseguiu criar.

14/05/13

O marketing político (2)

No artigo «O marketing político e a candura pública» postulei uma lei:
«Sempre que um político ou um partido, a propósito de coisa nenhuma, insiste em dizer que não fará uma coisa, isso significa precisamente que está a preparar o terreno para a fazer.»
Por conseguinte façam o favor de registar a seguinte declaração do ministro das Finanças, Vítor Gaspar:
«Depósitos abaixo de 100 mil euros são sagrados»
A interpretação desta manobra deve ter em conta o seguinte, que de alguma forma contraria a lei postulada: as campanhas de marketing muitas vezes dizem coisas horríveis apenas com o intuito de desviar a atenção e os ânimos de algo verdadeiro e tenebroso que se está a passar ao lado (veja-se o caso da TSU mencionado no artigo anterior).

13/05/13

O marketing político e a candura pública


[rectificado em 13/05/2013]
O marketing político e estratégico está razoavelmente documentado na Internet. Para a comunicação social portuguesa ele é um tabu, ou pelo menos uma realidade que deve ser silenciada, mas ainda assim pode ser consultado e investigado por quem tenha umas horas vagas (desempregados, por exemplo) e acesso à Internet. Um dos casos documentados é o da empresa de marketing político que recusou trabalhar na campanha do PS para o parlamento europeu, apesar de o PS ser seu cliente habitual. Em entrevista discretamente publicada, o director da firma justificou a recusa com um conflito ético de interesses: o prof. Vital Moreira (então candidato do PS) faz parte do lobby mundial das indústrias farmacêuticas; ora a empresa de marketing em questão tinha nesse momento como cliente a associação nacional de farmácias, que estava em guerra aberta com a indústria farmacêutica.