Cada vez mais ouço, ao passar por esquinas e portais, senhores de pasta e gravata enfiada em casacos de azul-escuro e de mau corte dizerem que «é preciso esquecer a Constituição». Referem-se, julgo eu, à suspensão de normas fundamentais em benefício de determinadas práticas favorecedoras de determinados interesses económicos (senão, porquê a pasta, o azul e o mau corte?).
Estas conversas mantidas à esquina do tempo, que
imagino seja o da espera pelo boss
ou pelo motorista, são em tudo semelhantes às dos bêbados que,
em estado já neuronicamente
diminuto,
nas tascas dão lições técnicas ao treinador do seu clube de
futebol favorito, não fazendo
a mais pequena ideia do que estão a falar. Ficamos assim a saber que
há muito não se ensina na escola uma coisa básica: o que é uma
constituição e para que serve.