Tudo o que de importante havia a dizer sobre a
oferta duma cátedra a Passos Coelho já foi dito – o oportunismo,
o carreirismo, a trafulhice administrativa, o compadrio elitista e
partidário; enfim tudo foi já suficientemente esmiuçado. E se um
desses professores que há décadas aguardam em vão o acesso à
cátedra, em desespero de causa e ao ver-se ultrapassado por um
simples licenciado, abraçasse o terrorismo como solução de todos
os seus males, poderia contar com a minha compreensão, ainda que não
com a minha simpatia. Compreende-se também a indignação dos 28
professores que assinaram uma petição pública, argumentando que «A
atribuição do grau de catedrático a Pedro Passos Coelho, mesmo sem
cadeira designada, constitui um atropelo flagrante ao estatuto da
carreira docente universitária em Portugal» (ver aqui
e aqui).
Contudo há um aspecto contextual que não deve ser ignorado: não
estamos a falar duma escola universitária qualquer, trata-se do
ISCSP – um facto que torna a cátedra justificável, como passarei
a explicar.
