A ameaça de os «bancos sistémicos» arrastarem
na sua queda toda a sociedade tornou-se uma espécie pré-anúncio
permanente do Armagedão e tem servido para justificar os enormes
sacrifícios impostos às populações, devidamente consumado por um sumo sacerdote que dá
pelo nome de Autoridade Pública. A palavra sacrifício é apropriada, uma vez que
são penas e perdas de vidas o que está em causa.
O que guardarão os cofres dos bancos de tão
precioso, de tão misterioso, de tão funesto, que possa desencadear um fim do mundo?
A resposta mais comum é: dinheiro, oceanos de dinheiro, muito para
além daquilo que a imaginação comum pode alcançar. Se a
imaginação não pode alcançar, a resposta é vaga. Impõe-se
portanto outra pergunta menos vaga, mas infelizmente mais complexa: o
que é o dinheiro?, donde vem?, para onde vai?
