Vivemos uma profunda crise de habitação. Esta emergência soma-se a várias outras: crise ambiental, sucessivas crises financeiras, crise energética, etc. – um festival de contradições servidas em bandeja por esta nossa maravilhosa sociedade. Os problemas de habitação não vêm de hoje; há mais de um século que são sistémicos em Portugal. Contudo, chegámos agora a um extremo crítico em que o epicentro do descontentamento popular se centra na habitação.
bilioso
«Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa: salvar a humanidade.» - Almada Negreiros
01/11/26
Habitação: para grandes males, grandes remédios
29/09/26
IA: se calhar precipitei-me
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| Imagem concebida pelo autor e materializada por IA (AI Painting Generator) |
Há cerca de seis meses publiquei um artigo no qual defendia a tese de que a IA seria «um instrumento inerte, sem alma, sem vontade própria». Venho agora humildemente reconhecer que essa abordagem foi insuficiente.
29/07/26
A liberdade de hackear
Ao passar em revista alguns dos meus arquivos, dei de caras com um comentário (que, evidentemente, não publiquei) a uma das minhas crónicas, com data de 23/03/2018:
«Você está convidado a terra maravilha de hacks, (...)
Nós oferecemos toneladas de serviço (...)
22/07/26
O ministro ventoinha
Fernando Alexandre, formado em economia e gestão, actual ministro da Educação, Ciência e Inovação, é uma daquelas figuras que fizeram currículo à custa da Fundação para a Tecnologia e Inovação1 (FCT). Detém a pasta da Educação desde 2024 e … adivinhem qual foi uma das suas principais acções no cargo, em 2025: extinguir a FCT, substituindo-a por uma empresa pública: a Agência2 para a Investigação e Inovação, EPE3 (dita ANI2).
14/03/26
IA: o busílis da novidade
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Imagem concebida pelo autor e gerada artificialmente por Crayon |
Grassa enorme controvérsia sobre a inteligência artificial (IA na versão portuguesa, ai-ai na versão anglófona), em muitos casos, a meu ver, passando ao lado do essencial. A IA, para começar, é apenas um instrumento – um instrumento inerte, sem alma, sem vontade própria, à espera de ordens (prompts) para produzir qualquer coisa.
27/12/25
André Ventura deveria ser quimicamente capado
O burburinho levantado pelos cartazes de André Ventura na campanha eleitoral para as presidenciais não releva de qualquer conteúdo excepcional dos ditos cartazes, não é nem mais ofensivo nem mais agressivo que seu costume ao longo dos anos.
Há muito tempo que André Ventura apresenta este tipo de agressividade, violência, ódio e comportamento ofensivo. Sempre contra os mesmos grupos sociais. É uma monomania em roda livre, uma disfuncionalidade metonímica que transforma qualquer caso individual em generalidades abstrusas – os ciganos são isto, os paquistaneses aquilo, os homossexuais aqueloutro. Ao longo de semanas, meses e anos, a agressividade alarve de Ventura bate sempre na mesma tecla, é um piano desdentado com monótona regularidade monomaníaca – nada de novo por esse lado.
Infelizmente, esta insanidade mental, à semelhança de todas as insanidades mentais, de todas as disfuncionalidades comportamentais e cognitivas, é contagiosa – o riso, o choro e a loucura são extremamente contagiosos e estão a tomar conta da população em geral, não porque ele seja próximo de nós, mas graças à projecção mediática de que ele goza. Isso está bem à vista no dia-a-dia, no comportamento e na construção frásica de cada vez mais portugueses. Por isso vai sendo tempo, penso eu, de tomarmos medidas correctivas, em nome da sanidade colectiva.
Ora, como se explica o comportamento obsessivo-agressivo constante de Ventura? À primeira vista poderia ser um problema de cultura individual ou familiar; mas se assim fosse, num sujeito com estudos e posto perante o contraditório permanente, por certo o próprio já teria corrigido esse comportamento disparatado. Resta por conseguinte a hipótese do desarranjo hormonal, contra o qual o próprio doente não pode lutar por vontade própria e sem intervenção externa. Temos pois de ajudá-lo.
Sendo bem possível que um dia destes ele consiga fazer aprovar na Assembleia da República uma lei de castramento químico, devemos preparar-nos para introduzir na proposta de lei emendas que permitam aplicá-la a vários tipos de casos – nomeadamente o do próprio Ventura, cujas gónadas parecem estar a levá-lo à loucura.
Por mim, entre o tratamento químico e o tratamento físico, venha o diabo e escolha. Mas visto que o próprio Ventura parece achar o tratamento químico mais civilizado, menos bárbaro que o físico, ponhamos a faca de lado e administremos-lhe a pílula.
24/11/25
O 25 de novembro e as forças da ordem
Durante várias décadas a elite política portuguesa instalada no poder teve o bom senso de não levantar demasiadas ondas quanto ao 25 de novembro de 1975 – o golpe militar que pôs fim ao PREC (Processo Revolucionário em Curso, 1974-1975). Este ano, porém, a direita mais descerebrada fez questão de celebrar a data, soprar as velinhas e cantar parabéns a si mesma. Esta iniciativa, por sua vez, desafiou um leque variado de autores a analisarem mais a fundo os acontecimentos históricos de novembro de 1975.
13/11/25
Quem paga a guerra?
O debate entre os defensores da paz e os promotores da guerra não tem produzido o efeito pretendido. Pelo contrário, tendeu a estigmatizar, difamar e isolar os defensores da paz. No que diz respeito à falta de resultados práticos, a prova dos nove é fácil de tirar: o debate não gerou transformações sociais, não mobilizou as populações e não deu origem a novas formas organizativas dos explorados e oprimidos.
Talvez a primeira razão deste fracasso resida no facto de os argumentos pró e contra a guerra terem por regra um carácter marcadamente abstracto. Trata-se de uma discussão que se arrasta há séculos, sempre no domínio da filosofia e da moral.





