«Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa: salvar a humanidade.» - Almada Negreiros
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14/08/14
Notícias do futuro
Uma acesa polémica está a correr mundo, a propósito da divulgação de uma colecção de documentários, filmes e outros instrumentos didácticos sobre a vida dos humanos nos remotos séculos XIX-XXI. Embora estes filmes sejam por regra antecedidos de cautelosos avisos às sensibilidades mais frágeis, a polémica subsiste: deve-se, ou não, facultá-los a toda a gente, e até às crianças, segundo o princípio do livre e universal acesso à informação e do combate ao paternalismo bacoco? Deverá a sensibilidade infantil, necessariamente menos blindada que a do adulto, ser poupada?
21/11/13
Representações opusdeificadas da ideia de sexualidade
Passou uma semana de tiradas de bloguistas,
articulistas e comentadores de esquerda sobre a sexualidade e a
indústria do machismo, como se pode ver aqui
(1,
2,
3,
4,
5,
6,
7,
8,
9)
(obrigado pela listagem, Renato).
Há muito alguns destes autores deveriam ter feito um pacto de
silêncio sobre dois (pelo menos) territórios: a arte
e a sexualidade. Poupar-se-iam assim a figuras tristes. Poupar-me-iam
a mim ao pesadelo de os imaginar um dia com alguma espécie
de poderes sobre o território artístico, moral e comportamental das
nossas vidas.
Sobre a ausência de pensamento em matéria de
artes, já
disse, numa
série de 7 artigos. Sobre a presente questão da sexualidade e
da exposição do corpo, a resposta é mais difícil. É difícil, em
primeiro lugar, porque os textos em questão são na sua generalidade
indecifráveis, retorcidos e incoerentes. De que raio estão eles a
falar, ao certo? Por fim damo-nos conta de que a dificuldade provém
do rebuscado rebuço com que expõem o tema – o rebuço de quem
quer falar do assunto, zurzir nos pecadores, mas se vê enredado numa
mortalha de vergonha que não permite dizer tudo às claras (creio
não estar a fazer nenhum julgamento de intenção).
Na impossibilidade de extrair algum pensamento
coerente desses arrazoados, escolho umas quantas citações
avulsas.
24/10/12
Isto não é um trabalhador
Cada vez que me pronuncio sobre a situação política e social
caem-me em cima uns quantos académicos cheios de dúvidas
existenciais: perguntam-me «o que é isso de trabalhadores e
capital», queixam-se de maniqueísmo, afirmam que a democracia e o
Estado somos todos nós, enfim, um ror de dúvidas existenciais.
Muito sinceramente, preferia não ter de responder a este tipo de argumentos. Afinal de contas, trata-se de responder a técnicos altamente qualificados, alguns deles professores universitários na área das «ciências» humanas e políticas. Explicar-lhes o que é um trabalhador do ponto de vista teórico é no mínimo constrangedor.
Muito sinceramente, preferia não ter de responder a este tipo de argumentos. Afinal de contas, trata-se de responder a técnicos altamente qualificados, alguns deles professores universitários na área das «ciências» humanas e políticas. Explicar-lhes o que é um trabalhador do ponto de vista teórico é no mínimo constrangedor.
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