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29/12/14

Crónica do fim de uma era


Na minha experiência de vida, empírica, não medida, particular, uma convicção se formou cedo: o grosso da população rege-se por tendências místicas e age segundo os mandamentos da fé, mais que da ciência. Vale o que vale esta convicção, e não tenciono eu esgrimi-la com quem quer que seja.

A fé, para que nos entendamos, localizo-a eu num domínio da mente que não encontra um único ponto de intercepção com o domínio da razão lógica. Estes dois domínios vivem separados por natureza; pretender esgrimir as razões da lógica contra as razões da fé (ou vice-versa) é uma impossibilidade material – seria o mesmo que tentar nadar mariposa num contentor de areia.

13/08/13

FFF - felicidade, felácio, fé

Mude você mesmo o seu presente – eu não posso ajudar

Há milhares de anúncios com coisas deste teor (colho um ao acaso, o primeiro que me saiu na rifa ao abrir o navegador de Internet):

«E se tivesse a oportunidade de mudar o seu futuro? Acabe com os seus problemas e encontre a felicidade tão desejada. Eu posso ajudar.»



O mesmo tipo de anúncios é afixado nos jornais, ao lado das campainhas das portas, distribuído em mão na rua e introduzido nas caixas de correio. Há para todos os gostos – uns mais ocidentalizados, outros mais africanizados.

O que de comum encontramos em todos é:
  1. uma cesura entre o passado, o presente e o futuro – sendo o presente passivo;
  2. a ideia de que o futuro está pré-determinado (daí a utilização no anúncio da expressão «mudar o futuro»);
  3. a ideia de que é preciso recorrer a um guru para mudar o futuro.
Cesura, compartimentação, determinismo, sectarismo – eis algumas das chaves destes anúncios.