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26/10/13

O concerto de S. Bento


Decorreu hoje em Lisboa uma manifestação convocada pelo QSLT, com concentração no Rossio e ponto final em S. Bento, frente ao Parlamento. Por razões de idade e de saúde, é para mim um sacrifício considerável acompanhar manifestações, em especial daquelas que percorrem quilómetros, com subidas e descidas, passo de caracol, paragens constantes. A manifestação de hoje foi desse tipo, apenas evitando subidas e descidas, mas à custa de uns quantos quilómetros mais de percurso nesta cidade feita de colinas. Sobram os apoiantes de sangue na guelra, fica de parte uma boa metade da população potencialmente apoiante (olhem para a pirâmide etária do país, seus broncos), bem como todos os casais jovens com crianças. Isto, numa época em que é mais fácil mobilizar um idoso reformado do que um jovem estudante de Direito...

Cheguei bastante atrasado ao Rossio - a cabeça da manifestação já tinha arrancado. Reparei que a polícia, desta vez, não tinha adoptado uma atitude ostensiva e agressiva - um mistério que se resolveria daí a duas horas.

04/06/13

Um país de capados e excisadas


Um dos fenómenos mais fascinantes da História é a forma imprevista como por vezes uma minúscula faísca, aparentemente débil e insignificante, pode incendiar a movimentação popular, provocando uma viragem dos acontecimentos. O papel destas humildes fagulhas repete-se invariavelmente ao longo da História, em todos os continentes, desconcertando os teóricos, políticos, agitadores e revolucionários que em vão tentaram, durante anos, despertar a combatividade popular. E de repente, sem razão aparente, à margem dos tutores da política, o milagre acontece!

Apesar da imprevisibilidade deste tipo de acontecimentos, uma análise rápida dessas «faíscas» permite-nos compreender porque se transformaram elas em incêndios generalizados; permite-nos até perceber quando pode ou quando «deveria» ter acontecido.

E uma análise atenta e honesta dos tutores da política talvez nos permita compreender também porque não aconteceu antes esse milagre.

Heloísa e Abelardo, traídos pelos seus próprios tutores depois de terem vivido uma história de amor cuja paixão incendiária subverteu todas as normas vigentes e inspirou 9 séculos de romance e imaginação erótica, resignam-se a passar o resto das suas vidas enclausurados, cada um no seu mosteiro, trocando durante 20 anos pacíficas cartas filosóficas. À distância de um milénio, há nisto um quase prenúncio da quietude dos portugueses após uma história de paixão intensa (o 25 de Abril), seguida da traição abjecta com que os seus tutores os mutilaram. Para toda a vida, como fizeram a Abelardo?

28/04/13

O QSLT e a sentença de morte política

Têm chovido, na rede digital, nos jornais e na vida real, os comentários de crítica, aborrecimento e até indignação perante o comportamento do QSLT.1 Parece estar em curso uma espécie de declaração de guerra.


Desgraçadamente esta coisa do QSLT está a criar azedumes que voltam a estilhaçar a esquerda e podem levar décadas a ser adoçados.