No passado dia 26, Emmanuel Macron, Pedro Sánchez,
Angela Merkel e Theresa May lançaram um ultimato ao presidente
venezuelano, Nicolás Maduro, dando-lhe 8 dias para convocar
eleições. Se o ultimato não for aceite, aqueles quatro governos
europeus, aos
quais se juntou toda a UE pela voz do seu Conselho, reconhecerão
o autoproclamado presidente interino Juan Guaidó (ao qual dão o
tempo que este achar necessário para convocar eleições). Que terá
acontecido ao respeito pela autodeterminação dos povos?
«Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa: salvar a humanidade.» - Almada Negreiros
28/01/19
A hipocrisia europeia face à Venezuela
18/01/19
A força do cliché
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| Quatro mulheres anónimas (daguerreótipo de Southworth & Hawes, 1850) |
08/11/18
Como grassa a podridão, ó academia
Exponho aqui um trabalho de doutoramento em curso; dispensa comentários e é sustentado por um inquérito que fala não só por si, mas também pelo compadrio, pelo favoritismo, pelo saneamento, pelo processo intenso de privatização dentro do sistema de ensino superior, com prejuízo grave para a qualidade do trabalho científico, e que foi encaminhado pelo centro de investigação ICNOVA, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, para os endereços constantes na sua base de dados.
O banco promovido pelo referido inquérito, que transcrevo abaixo, tem um balcão logo à entrada da universidade.
Como único comentário, faço notar que se trata de um inquérito comercial promovido a inquérito científico; cumpre os requisitos necessários para funcionar como um mantra publicitário que condiciona quem o ler de cabo a rabo.
Como único comentário, faço notar que se trata de um inquérito comercial promovido a inquérito científico; cumpre os requisitos necessários para funcionar como um mantra publicitário que condiciona quem o ler de cabo a rabo.
Declaro que tudo quanto transcrevo abaixo, por mais espantoso que vos pareça, é verdadeiro e não foi inventado por mim, como se pode comprovar acedendo ao inquérito on-line (consultado em 8/11/2018).
07/11/18
Máquinas humanizadas e humanos maquinais
da série: Filosofias de alcova e outras bestialidades
Está bestialmente na moda fazer filmes e artigos sobre a humanização das máquinas digitais, em particular os computadores. Durante algum tempo este tema pareceu-me justo, até que um dia, estava eu a dar uma bela trancada no meu namorado, veio-me à ideia, vá-se lá saber porquê, que se calhar as pessoas que criam esses programas e artigos estão, por portas travessas, a induzir os humanos a serem mais maquinais. Enquanto batia uma soneca à ilharga do meu parceiro, meti-me a pensar que a ideia de tornar um instrumento – seja ele um computador, um microondas ou um scanner – mais humano é um absurdo.
19/10/18
O estupro do debate político
O último
Prós e Contras, de
15-10-2018, teve
como mote o movimento #MeToo.
Acessoriamente
deu-nos uma
ideia da dimensão da
decadência do debate político.
Para quem não
conhece: o Prós e Contras
é um programa de debates emitido semanalmente na RTP1, apresentado
por Fátima Campos Ferreira
e animado por um painel de 6
convidados não residentes que dão as suas opiniões sobre um tema
proposto e que às
vezes acabam a ofender-se uns aos outros; tem uma plateia de
estúdio que também participa no debate; e usa mecanismos telefónicos
para pedir opinião aos telespectadores.
O programa começou mal, ao
lançar o
seguinte mote: «O movimento
Mee Too contribui para a igualdade entre homens e mulheres?». A
pergunta enviesou
a discussão logo à
partida. Perguntar se uma
coisa, qualquer coisa,
contribui para igualdade entre homens e mulheres é
uma indagação que
tem sempre lugar, pela simples razão de que praticamente tudo na
nossa sociedade é atravessado pelas
desigualdades
de género. Estas
desigualdades
têm
milhentas facetas – físicas,
sexuais,
laborais,
culturais,
… –, tendo algumas
delas uma componente
essencial:
a violência. A
multiplicidade destes comportamentos sociais justifica
o recurso a múltiplas
frentes e instrumentos de luta para acabar
com eles.
Quanto ao #MeToo,
é
um movimento que
milita
contra a
violência sexual e o assédio
sexual, usando como
arma de combate a
denúncia e o julgamento em praça pública. Estávamos
portanto perante um tema invulgarmente claro e preciso.
31/07/18
Affaire Robles (2)
Ainda mal passaram 48 horas sobre a minha última
crónica e já me sinto compelido a voltar ao assunto. As razões
para este retorno prendem-se com as manobras políticas em curso, nas
quais, na minha opinião, Robles, agora ex-vereador da CML, não
passa de um peão. No essencial:
-
Parece existir uma manobra política para descredibilizar do BE e reatar o namoro PS-PSD.
-
A mira dos ataques parece estar a deslocar-se de Robles para os movimentos sociais que lutam pelo direito à habitação e à cidade, contra a mercantilização da habitação e a especulação imobiliária desbragada.
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Stop Despejos
30/07/18
Moços de recados dos deuses menores marram num carvalhal
A medium-novela do Robles ultrapassou todos os limites do razoável. Pode dizer-se que o falatório à volta do Robles se resume nisto: a mesquinhez, a malvadez, o despudor e a hipocrisia juntaram os trapinhos e viveram felizes para sempre, num belo ménage à quatre. Ora, quando estas quatro criaturas atingem tão elevado grau de intimidade, daí em diante já nenhuma conclusão racional é possível. Passo a explicar.
26/03/18
Como mulher ou com as mulheres?
Quanto mais frágil é o movimento social, o projecto político e a mobilização das populações em torno de um tema social, tanto maior o chinfrim, a zaragata tertuliana, o choque entre grupelhos e pessoas, por dá-cá-aquela-palha. Esta é uma regra segura para auscultar a saúde dos movimentos sociais.
Há dias assistimos a uma dessas chinelices: um enorme chinfrim nalgumas páginas de internet em torno duma «Oficina de Urbanismo Feminista» organizada por Mulheres na Arquitectura e anunciada assim: «As cidades, os bairros, as ruas são os próprios campos de trabalho, reflexão e proposição, também campos de batalha» e assim: «oficina destinada a pessoas que se identificam como mulheres». Como estamos na era do Facebook, é difícil saber se o que lemos representa mesmo o pensamento das autoras ou se resulta de desleixo ou inépcia na escrita. Por mim, parto do princípio que, ao escreverem «como mulheres», as autoras pretendem significar «com as mulheres» ou «com as causas das mulheres», visto que doutra forma se geram possíveis conotações sexistas e perpassa como que o apelo a um modelo passadista de mulher – ou, mais simplesmente: a um modelo identitário qualquer.
Não me estranha que alguém organize um convívio, uma reunião, um debate ou um seminário estritamente reservados a clientes habituais. Se os bares fazem isso, se os partidos fazem isso, se as ordens profissionais fazem isso, se o governo faz isso (a diplomacia secreta é uma instituição consagrada e tacitamente aceite pelos eleitores), por que carga d'água não poderiam fazê-lo as arquitectas feministas?
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